terça-feira, 1 de agosto de 2017

Sessão 1

Prólogo
Enzer, um nobre mercador de Thanned – uma Cidade-Estado de Thalas – contratou um grupo de aventureiros para explorar suas terras recém-compradas. Os alertas e rumores sobre a tal região não assustou o nobre, afinal, o preço pelo grande pedaço de terra era ínfimo. Entretanto, seja qual for a mácula deixada naquele lugar, o grupo havia de limpá-la. Assim, enviando-os em uma pequena caravana montada por ele próprio, seguiram rumo às terras profanadas, ou pelo menos era o que diziam de lá.
A caravana era composta por Eyllen, a guerreira assassina nortenha que possui um ódio por usuários de magia, mas seu trabalho recente em Thanned era nas forjas. Kriv Belmont, um thalassiano nobre, caçador de criaturas, que utiliza sua alquimia e seus conhecimentos do oculto para matá-las. Niel Blackbeak, uma thalassiana coveira de uma linhagem antiga de Thanned, influente dentro do culto de Berath, sendo a mesma uma sacerdotisa, uma caçadora e astrônoma nas horas vagas. Volgan, O Máscara de Ferro, um nobre khazardiano que estuda magia e a utiliza ao seu favor, porém sempre apaixonado pelas armas. Junto aos aventureiros, Lili – uma thalassiana filha bastarda de um dos três nobres de Thanned e que sabe conseguir o que quer -, Ivo – o soldado e fazendeiro thalassiano muito corajoso-, Veranus – o sacerdote do Deus do conhecimento e de exímia inteligência -, Peixoto – o soldado thanediano quieto e reservado – e Ernesto – o piloto de vagão medroso-.

Viagem
Por entre as horas que se passavam, pequenas “paradas turísticas” foram feitas. A primeira delas e que chamou atenção, foi a grande rocha desenhada, seus símbolos, que pareciam primitivos, retratavam homens adorando gigantesco animais como lobos, cobras e búfalos. A segunda parada, o que Kriv brincou chamando de Posto de Lilandra, era um pequeno casebre queimado onde Eyllen encontrou um pequeno pingente. Dentro do mesmo, havia uma foto de suas hyrkanas e um poema. Veranus lembrou-se de um viajante historiador que escrevia sobre tudo o que via e acreditava-se que ele era um hyrkanu.
Mais a frente, uma bolsa de couro foi achada no chão, dentro dela, mais papéis e poemas. A bárbara se deliciava com os novos itens que pendurava pelo corpo. A quarta parada foi a lápide de um homem honrado. Treze espadas circundavam seu túmulo e juntos desenterraram o nobre homem em busca de informações. Seu anel com o brasão de uma águia de duas cabeças denunciava sua origem, provavelmente vinha de Mezântia, uma cidade muito longe de onde o homem morreu. Kriv, atento ao cadáver, pegou da bainha do homem uma adaga vermelha e muito elegante e levou consigo.
A última parada antes da chegada da cidade foi a que mais chamou atenção do grupo, corvos com três olhos comiam a carcaça de um cavalo apodrecido. O terceiro olho, aquele que ficava na testa dos mesmos, era amarelo e olhava para o grupo. Após uma investigação, o jovem Belmont recolheu os pedaços dos corvos que havia capturado.

As ruínas de uma cidade
Ao chegarem no local, o vento que passava por ali revelava o silêncio. A cidade parecia mais um sepulcro horrendo, as casas encontravam-se, quase todas, destruídas. A mansão ao fundo, tinha suas portas e janelas caídas e escancaradas, a relva tomava conta do local, assim como as ervas daninhas. Em passos lentos e atenciosos, entraram no local e se depararam com a primeira estrutura quebrada.
Uma casa abarrotada de crânios com velas acesas em suas cabeças. Velas que não queimavam quando eram tocadas e nem poderiam ser apagadas com um simples vento. A guerreira, com seu machado de material estranho foi a única que conseguiu apaga-las ao tocá-las.
Ao chegarem no centro da cidade uma enorme árvore pálida e sem folhas marcava sua presença. Segundo Veranus, aquela árvore era estranha, pois ela costumava nascer nas regiões do sul e eram conhecidas por beberem sangue. Entretanto, os mesmos corvos que haviam visto no cavalo os observavam de cima da árvore. Com um movimento ágil, o Belmont matou todos com suas adagas e o sangue dos animais foi sugado para a terra. Após algumas tentativas, viram que a água benta ajudava a árvore e que dela nasceram pequenas folhas azuis que logo foram recolhidas pelo alquimista.

Zumbis?!
Mais adiante, o chafariz seco chamou atenção do grupo, mulheres seminuas com máscaras de pássaros e orelhas pontudas eram retratadas em pedra. Mas foi quando chegaram ali que algo chamou atenção deles. Sussurros de outro mundo e inteligíveis. Ao olharem ao longe, onde o sol se deitava, na direção da grande mansão, alguns zumbis saiam e pareciam conversar entre si.
Sorrateiramente o grupo os seguiu e viram que aos poucos, esqueletos que não estavam ali, saiam das casas e agiam como se fossem as pessoas daquele local. Rapidamente esconderam seu vagão entre as árvores e deixaram Lili e Ernesto, pois estavam com medo.
Ao verem o grupo de zumbis parando de frente para uma horta bem cuidada e acenarem para o nada, o alquimista se sobressaltou... três flor de lótus brilhavam no meio do jardim. Ele sabia que aquilo era um item raro e que só nasciam em locais de grandes infortúnios. Sua ganância falou mais alto, mas ao tentar entrar no canteiro, algumas plantas estranhas com olhos e bocas tentaram impedi-lo lançando pólen. Por sorte somente sua mão foi atingida, em um desespero, ele pegou algumas folhas azuis e mastigou, cuspiu em sua mão e passou e logo viu que o curava. 

Vestes Negras
Passos chamaram a atenção de todos. Vestes negras farfalharam ao vento revelando um homem encapuzado que rapidamente correu para longe. Sem nem mesmo pestanejarem, os aventureiros correram atrás do tal homem, ainda havia esqueletos saindo das casas e conversando pela rua, mas Eyllen percebeu que ao botar sal em uma das portas, durante a correria, um dos esqueletos desviou.
Ao chegarem ao local, nada. O homem havia sumido. Cansados daquela situação, Niel e Eyllen foram investigar alguns esqueletos. Entretanto, ao conseguirem capturar um, o mesmo tentou enforcá-la, resultando em Eyllen destroçando o esqueleto. Outros esqueletos o recolheram e o levaram para a casa dos crânios com velas e pareciam orar para algo.
Ao se juntarem novamente ao grupo, um estrondo de fumaça verde ecoou na floresta e eles se encaminharam para a investigação. O local nada mais era que um chão pútrido, como se um raio tivesse caído naquele local.
Então, aquele barulho de passos e o farfalhar ao vento chamou atenção da Niel que logo apontou para a direção. O homem estava lá os observando, contudo, Eyllen catou uma pedra no chão e arremessou em sua direção. E foi aí que o inferno começou.

Perseguição
Os esqueletos que estavam, até agora, pacíficos se tornaram hostis. Uma horda de esqueletos passou a perseguir o grupo de aventureiros e os mesmos passaram a perseguir o homem de túnica negra. As marchas eram os únicos sons audíveis. Embrenharam-se pela mansão jogando sal em portas, o que fazia os esqueletos se atrasarem. Salas vazias, cômodos abarrotados de poeira e somente os passos daquele homem e dos aventureiros ecoavam pela casa morta. As escadas que levavam para o subterrâneo de silêncio sepulcral agora levavam sons de botas. Obstáculos não os impediram de tentar alcançar aquele homem que só corria feito um louco.
Entretanto, o perderam de vista ao se depararem com uma parte alagada, os poucos minutos de dúvida dava ao homem de manto negro certa vantagem. Algo chamou atenção dos ouvidos afiados de Niel, passos em água, como se muitas pessoas estivessem correndo sobre a água. Foi aí que decidiram mergulhar na água lamacenta.
As águas os levaram até uma câmara com estátuas de dois humanoides que seguravam duas cruzes invertidas, porém, as cruzes invertidas eram feitas de tentáculos. No centro de cada cruz, um olho fendado olhava fixamente um para o outro. O salão se estendia e se bifurcava em uma escada, no meio da sala uma mão verde parecia segurar o teto.
Ao olharem para trás e estenderem um pouco a tocha, viram aquele exército de esqueletos andando sobre a água barrosa. Os sons do homem vinham daquela escada e logo correram para lá tampando a passagem da escada com sal.

Sala do Portal
Assim que todos chegaram na sala, vira o homem encapuzado se jogar no olhos fendado da estátua que estava no fundo da sala. Era uma estrela de seis pontas toda feita de tentáculos, a pupila foi girada e o homem jogou o capuz para trás gargalhando.
A túnica negra caiu revelando a roupa amarela, um sacerdote amarelo, sua pele era morena com tatuagem de tentáculos brancos adornando-as. Seus olhos eram dourados e seus cabelos brancos. O sorriso que estava gravado em sua boca era insano e sua risada era enlouquecida.
“Vocês perderam! O mestre está vindo e serei recompensado! Serei recompensado! Omestreestávindoesereirecompensado... o mestreestvindo...”
Suas palavras saiam corridas pelos lábios e o louco não as cansava de repetir, atrás de si, a pupila girava liberando uma energia espectral. Eyllen correu até a imagem feita de pedra e colocou seu machado para prendê-la.
“Você acha que isso vai impedir o mestre?”
Suas risadas ecoavam. Após um interrogatório feito pelo grupo, o rapaz disse a eles os seguintes fatos:
“Um homem matou seu filho e com ele está o livro do metre”;
“O livro está na cela com o cadáver da criança”;
“O mestre que deu o livro para ele! O homem pegou o poder e fugiu, não libertou o mestre”.
Após o interrogatório, Eyllen desacordou o sacerdote. Como distração o corpo do rapaz foi jogado em meio a eles. Entretanto, a influência do tal Deus aumentava. Niel teve um estalo, aquele Deus era Zyrguroth, o Deus da Loucura.
Foi aí que o corpo do rapaz levantou, seus olhos estavam revirados e brancos. Da sua boca escapava um tentáculo que o fazia babar e entoar inúmeras orações para seu Deus. Vendo aquela situação, Niel clamou por Berath para que a ajudasse, para que tomasse conta de um daqueles esqueletos e levasse notícias para Lili e Ernesto que estava lá acima das catacumbas.
Entretanto, a influência do Deus da Loucura era tão grande que assim que Berath a ajudou tomando controle de um esqueleto, os outros o desmontaram.
Kriv, com seu chicote, se pendurou passando por cima dos esqueletos e atrás de si, um tiro explodiu a cabeça do rapaz. O homem viu pelo canto de seus olhos o colega de máscara de ferro engatilhando o próximo tiro para colorir as paredes cinzentas daquela caverna de vermelho.

O Livro do Olho Amarelo
Kriv corria vendo as paredes se deformarem, olhos e bocas surgiam e desapareciam. Ele seguiu pelo caminho tortuoso que o sacerdote amarelo contou. Ao chegar no local, haviam celas. Criaturas mortas de outros planos se encontravam ali e na central, um esqueleto de uma criança abraçava o livro.
Com muito cuidado ele abriu a porta e retirou o livro. Um livro velho, de capa de couro vermelho e um olho fendado amarelo que o olhava fixamente enquanto piscava com calma. Ele retirou a tranca do livro e sua mente foi dragada para uma visão.
“Um homem com o anel da família Belmont escrevia naquele livro, mas seus dedos ora eram tentáculos ora eram dedos comuns, um grito irrompeu em sua mente: NÃÃÃÃÃO!!! E o mundo voltou”.
Ainda estava naquela masmorra escura, mas ele não tinha escolha. Abriu o livro e o folheou loucamente até achar o que queria. Segundo o livro, para parar o portal ele deveria sacrificar alguém insano ou alguém com medo para que ele parasse de abrir.
Infelizmente, ele não poderia ser o sacrifício, não tinha medo e nem muito menos os que estavam com ele ali naquele templo também tinham. Então, tomou a decisão mais difícil de sua vida. Sentou-se e preparou uma poção com os restos dos corvos. Teria que por medo em alguém.

O Herói
Após ter feito a poção, tomou e em sua testa brotou um olho, ele fechou seus olhos dois amarrando uma fita e se colocou a correr para a cidade. Foi questão de poucos minutos, chegou até a carruagem e encontrou Veranus que o olhou espantado, o símbolo sagrado do homem brilhava tentando espantar a aura maligna dali. Porém, Kriv rapidamente pegou seu cajado que brilhava e o desacordou.
Ele entrou na carroça e Lili desmaiou de medo assim que o viu, seu olho no centro da testa. Ernesto chorava e clamava por todos os deuses, ele tremia de medo e Kriv enterrou sua adaga deixando mais uma alma para Berath.
Levando o corpo em suas costas, Kriv foi pelo caminho mais curto por uma passagem escondida que achou por trás da mansão. Em uma corrida breve logo chegou até o local dos esqueletos e lançou seu chicote agarrando-se as pedras do teto e ultrapassando a horda de esqueletos.
Pousou no chão e abriu o homem instruindo a todos, que agora estavam segurando o machado que tremia na chave do portal, para que pegassem o sangue do homem e esfregasse ali. E assim o fizeram, o que restou do rapaz de amarelo que agora não passava de tentáculos que saiam do tronco dele tentou os impedir, mas foi cortado ao meio pelo soldado Ivo.

Eles passaram o sangue e tudo aquilo parou, os esqueletos viraram pó e suas almas retornaram para seu descanso eterno. Todos respiravam aliviados, mas transtornados por tudo aquilo. Ernesto foi o herói da noite, mesmo morto, foi quem os salvaram. Mas aquilo havia deixado uma tristeza e uma marca profunda na alma daquelas pessoas. 

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