sexta-feira, 26 de maio de 2017

As Eras de Thalas




"O homem caminha pelas terras de Thalas há milhares e milhares de anos, mas ele nem sempre esteve por aqui. Antes dele, outros seres reinaram sobre este mundo, talvez com mais prevalência e atingindo realizações mais grandiosas e significativas que nós. No entanto, todos, invariavelmente, desapareceram e foram esquecidos. Talvez um dia retornem, e isso é um grande medo que consome a mente dos homens." 


Os cronistas da Ordem de Thanned dividem a história do mundo em 6 grandes Eras:

1- A Era da Escuridão
Antes do homem se levantar de suas raízes primatas, Thalas era um mundo sombrio e escuro. Seres indescritíveis e alienígenas tinham impérios vastos e sinistros. Deuses inomináveis e antigos eram adorados com rituais macabros e sangrentos. Cidades construídas com uma geometria não-euclidiana, impossíveis de se compreender, se espalhavam pelas regiões selvagens como uma teia de aranha. 
O domínio desses seres sobre a arte da feitiçaria era infinitamente maior que a de qualquer mortal, e o Império dessas criaturas foi construído e expandido com base nesta arte nefasta. Nossos ancestrais, foram escravizados e usados como sacrifícios nas cerimônias dessas criaturas. Mas a ganância e soberba dos antigos imperadores de Thalas chegou a um limite, teorizam os cronistas. 
Os portais que estes seres abriam para outros mundos e os rendiam riquezas e segredos imensuráveis também foi o que os levou à ruína. Os cronistas acreditam que os mesmos seres que lhes forneciam poderes e magias foram os que os tiraram tudo e os arruinaram. Consumidos por uma sede insaciável de poder, estes seres tentaram usurpar o lugar das entidades extraplanares que os guiavam, e uma guerra começou. 
O resultado são as ruínas e destroços deixados por todo o mundo de Thalas. Construções e artefatos de natureza totalmente estranha ao ser humano. Coisas que nenhum mortal teria conseguido construir ou sequer explicar. Alguns temem o retorno desses seres, talvez adormecidos nas profundezas das catacumbas de suas cidades em ruínas.



2- A Era do Nascimento
Milhares de anos após o domínio das raças antigas e imortais sobre este mundo, os humanos se levantaram e começaram a erguer o seu próprio reino sobre Thalas. Ao olhar para o mundo, vazio e devastado depois da queda das civilizações antigas, essas raças puderam aprender muitas coisas com o que foi deixado para traz. 
Em pouco tempo, cidades foram se reerguendo, agora sobre o domínio de mortais. Em toda parte do mundo, povos foram nascendo, influenciados em diferentes medidas pela herança deixada a era passada. Alguns deles abominavam tudo que veio antes, enquanto outros viam as ruínas e os artefatos deixados para trás como relíquias e fontes de poder e inspiração para erguerem seus próprios impérios. Dessa época, poucos relatos sobreviveram ao tempo, tendo em que poucos eram os povos que já tinham o habito de registrar seus feitos.



3- A Era da Grandeza
Nesta Era, muitos povos alcançaram um desenvolvimento pleno, dando origem aos ancestrais das diversas culturas que conhecemos hoje. No sul, homens com pele de ébano se organizaram em grandes tribos e comunidades ligados ao mundo natural. No norte, homens fortes domavam o mundo selvagem e forjavam um novo começo. E por toda a parte, homens e mulheres se aglomeram em cidades reconstruídas sobre as ruínas das antigas civilizações.
A cada século que passava, os povos de Thalas descobriam novas tecnologias e possibilidades. Reinos foram se formando a medida que as cidades foram se unindo sobre lideranças às vezes carismáticas, às vezes poderosas. Isso tudo até que um reino encontrou outro e a disputa por recursos e interesses se intensificou. As primeiras guerras entre as raças começaram nesta Era. 
Por séculos, os povos guerrearam sem nunca um se prevalecer sobre o outro, até o surgimento de Khazard. Khazard foi um Rei-Bruxo que ousou utilizar a feitiçaria que arruinou as civilizações antigas. Ele renovou as alianças com os seres extraplanares e utilizou seus segredos para vencer seus opositores. Em algumas dezenas de anos, Khazard dominou quase todos os outros povos dos continentes de Thalas e um império surgiu.



4- A Era de Khazard
Khazard foi o primeiro Rei-Bruxo do Império que recebeu seu nome. Ele reinou por dezenas de séculos, tendo sua vida prolongada por rituais sinistros e acordos nefastos com criaturas de outros planos. Com ele, O Império de Khazard se estendeu por quase todo o planeta, escravizou diversos povos, cujo sangue alimentava a feitiçaria dos Bruxos e saciava a cede dos demônios que os serviam. 
No entanto, o poder cegou o primeiro Imperador e um de seus aliados o traiu. Os estudiosos apontam um de seus aprendizes e servos, que teria feito uma barganha mais vantajosa para uma entidade, como aquele que o traiu e tomou o poder, se tornando o segundo Imperador de Khazard. Foi assim que começou o grande padrão de sucessão dos Reis-Bruxos e as guerras de feitiçaria que ocorreram e podem ter sido uma das causas da decadência de Khazard. 
Por Milênios, os Imperadores de Khazard dominaram Thalas, cada vez mais se enraizando em acordos e barganhas com poderes mais sinistros e perversos. A disputa pelo poder entre os Bruxos do Império passou a dominar seus esforços ao invés do desenvolvimento da sociedade e da cultura. Khazard estagnou depois de milênios e a decadência tomou conta das cortes das maiores cidades do império. 
O fim dessa Era se deu na total aniquilação e ruína da cultura de Khazard. Muitas teorias e lendas se formaram para tentar explicar o que, da fato aconteceu, mas a verdade talvez seja uma combinação de todos esses fatores. Uma das causas apontada é o levante dos povos escravizados durante milênios. Percebendo a decadência e o descuido de seus superiores, presos em uma batalha entre si próprios, os escravos usaram as armas que possuíam contra seus mestres, libertando-se de milhares de anos de opressão. Outra causa apontada é a liberação sobre o mundo de forças cataclísmicas sobre as quais os Reis-Bruxos não tinham como controlar e que causaram a ruína de Khazard. As entidades extraplanares se cansam até mesmo dos mais dedicados servos. Ainda há aqueles que dizem que, simplesmente, a hora da cobrança das barganhas feitas pelos bruxos do Império chegou, e o preço foi alto demais.



5- A Era das Ruínas
A Era seguinte foi marcada pelas ruínas e pela destruição que se seguiu à queda de Khazard. O mundo foi deixado completamente devastado e cheio de marcas das guerras e desastres provocados pelos Reis-Bruxos. As grandes cidades do Império foram devastadas e saqueadas pelos sobreviventes, que deixaram estes lugares malditos com medo da herança sinistra deixada pelos Reis-Bruxos. 
Bestas inumanas e outras criações horríveis de Khazard se viram livres de seus senhores e, agora, vagavam por Thalas sem impedimentos. Os povos oprimidos, milênios debaixo da feitiçaria de Khazard, não possuíam capacidade para formar novas civilizações e batalhar por um espaço no mundo sobre aquelas condições. Os homens voltaram à barbárie e demoraria muito para que ele voltasse a erguer cidades. 
Essa Era é marcada por uma incrível falta de registros históricos e apenas lendas e historias transmitidas pela tradição oral dos povos primitivos contam o que teria acontecido. A maioria se concentra em relatos de como seu povo deixou as ruínas de Khazard, viajou por anos e anos, enfrentando bestas e demônios terríveis, até chegar na terra prometida por seus deuses e líderes e se estabeleceram, fundando as tradições e comunidades que dariam origem às culturas conhecidas nos tempos atuais.



6- A Era do Reerguimento

Vivemos na Era do Reerguimento. Os povos, depois de anos vivendo sobre as sombras das ruínas das civilizações passadas, voltam a erguer cidades e olhar para um futuro. Sejam formando grandes enclaves de tribos nas selvas do sul, grandes encontros de clãs no norte gelado, ou retornando para as Cidades-Estados e as reerguendo como conseguem, os homens e mulheres de Thalas novamente podem ser chamados de civilizados – muito embora entre eles, cada povo se acha mais civilizado que o outro.
Entretanto, os povos atuais ainda são muito insipientes no que diz respeito às suas realizações, tanto em termos culturais, militares, religiosos ou arcanos. A maior parte dos artistas, artificies, sacerdotes e feiticeiros se limitam a imitar e copiar os fragmentos de suas artes que sobreviveram aos cataclismas que afetaram este mundo. Por isso, a busca por segredos antigos e perdidos é uma atividade constante e uma forte motivação para as pessoas desta Era.
Ainda assim, muitos dos males, demônios e criaturas sinistras, que causaram tantos desastres às civilizações que agora estão em ruínas e esquecidas, também são encontrados no mesmo lugar em que o conhecimento que os novos povos decidem procurar por seus tesouros e segredos. Desta forma, cada descoberta nova é uma barganha, podendo gerar grandes tesouros e ganhos, assim como grandes perdas e terríveis acontecimentos.
O mundo de hoje, então, se vira para um futuro ainda incerto, ainda que vislumbrando o passado, muito distante. As cidades que outrora abrigavam grandes civilizações, agora guardam povos frágeis, decadentes e que ainda buscam seu lugar no mundo. A pergunta é: será que Thalas ainda tem lugar para eles?


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